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08-Set-2010
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Pesquisas Polêmicas (Ou o vexame do Datafolha) PDF Imprimir E-mail

Deu no Correio Braziliense

De Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi

Pesquisas nas quais não se pode confiar são um problema. Elas atrapalham o raciocínio. É melhor não ter pesquisa nenhuma que tê-las.

Ao contrário de elucidar e ajudar a tomada de decisões, confundem. Quem se baseia nelas, embora ache que faz a coisa certa, costuma meter os pés pelas mãos.

Isso acontece em todas as áreas em que são usadas. Nos estudos de mercado, dá para imaginar o prejuízo que causam? Se uma empresa se baseia em uma pesquisa discutível na hora de fazer um investimento, o custo em que incorre?

Na aplicação das pesquisas na política, temos o mesmo. Ainda mais nas eleições, onde o tempo corre depressa. Não dá para reparar os erros a que elas conduzem.

Pense-se o que seria a formulação de uma estratégia de campanha baseada em pesquisas de qualidade duvidosa. Por mais competente que fosse o candidato, por melhores que fossem suas propostas, uma candidatura mal posicionada não iria a lugar nenhum.

Com a comunicação é igual. Boas pesquisas são um insumo para a definição de linhas de comunicação que aumentam a percepção dos pontos fortes de uma candidatura e que explicam suas deficiências. As incertas podem fazer que um bom candidato se torne um perdedor.

E na imprensa? Nela, talvez mais que em qualquer outra área, essas pesquisas são danosas. Ao endossá-las, os veículos ficam em posição delicada.

Neste fim de semana, a Folha de São Paulo divulgou a pesquisa mais recente do Datafolha. Os problemas começaram na manchete, que se utilizava de uma expressão que os bons jornais aposentaram faz tempo: “Dilma dispara...”. “Dispara..”, “afunda...” são exemplos do que não se deve dizer na publicação de pesquisas. São expressões antigas, sensacionalistas.

Compreende-se, no entanto, a dificuldade do responsável pela primeira página. O que dizer de um resultado como aquele, senão que mostraria uma “disparada”?

Como explicar que Dilma tivesse crescido 18 pontos em 27 dias, saindo de uma desvantagem para Serra de um ponto, em 23 de julho, para 17 pontos de frente, em 20 de agosto? Que ganhasse 24 milhões de eleitores no período, à taxa de quase um milhão ao dia? Que crescesse 9 pontos em uma semana, entre 12 e 20 de agosto, apenas nela conquistando 12,5 milhões de novos eleitores?

O jornal explicou a “disparada” com uma hipótese fantasiosa: Dilma cresceu esses 9 pontos pelo “efeito televisão”. Três dias de propaganda eleitoral (nos quais a campanha Dilma teve dois programas e cinco inserções de 30 segundos em horário nobre), nunca teriam esse impacto, por tudo que conhecemos da história política brasileira.

Aliás, a própria pesquisa mostrou que Dilma tem mais potencial de crescimento entre quem não vê a propaganda eleitoral. Ou seja: a explicação fornecida pelo jornal não explica a “disparada” e ele não sabe a que atribuí-la. Usou a palavra preparando uma saída honrosa para o instituto, absolvendo-o com ela: foi tudo uma “disparada”.

É impossível explicar a “disparada” pela simples razão de que ela não aconteceu. Dilma só deu saltos espetaculares para quem não tinha conseguido perceber que sua candidatura já havia crescido. Ela já estava bem na frente antes de começar a televisão.

Mas as pesquisas problemáticas não são danosas apenas por que ensejam explicações inverossímeis. O pior é que elas podem ajudar a cristalizar preconceitos e estereótipos sobre o país que somos e o eleitorado que temos.

Ao afirmar que houve uma “disparada”, a pesquisa sugere uma volubilidade dos eleitores que só existe para quem acha que 12,5 milhões de pessoas decidiram votar em Dilma de supetão, ao vê-la alguns minutos na televisão. Que não acredita que elas chegaram a essa opção depois de um raciocínio adulto, do qual se pode discordar, mas que se deve respeitar. Que supõe que elas não sabiam o que fazer até aqueles dias e foram tocadas por uma varinha de condão.

Pesquisas controversas são inconvenientes até por isso: ao procurar legitimá-las, a emenda fica pior que o soneto. Mais fácil é admitir que fossem apenas ruins.


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Escrito por Carlos Biasoli   
 
A analise política e a torcida PDF Imprimir E-mail

A análise política durante uma campanha eleitoral é facilmente contaminada pelo erro recorrente da repetição, escrever obviedades é mato na imprensa, alguns articulistas nem se ruborizam quando são atropelados pelos fatos, narram a morte da bezerra no presente como se abrissem as portas do futuro se esquecendo do que escreveram e defenderam no passado.

Porém, o túmulo do analista político é enveredar pelo caminho do torcedor, deixar-se envenenar pela paixão política se tornou comum na mídia nacional.

Quando meses atrás, propriamente em janeiro, apontei nesse espaço que a candidata do governo estaria de 10 a 15 pontos de diferença na corrida presidencial, já na primeira semana de campanha eleitoral em rádio e tevê, quando o desconhecimento cairia a praticamente zero, eu apontava uma tendência. Modéstia a parte, para se fazer justiça a esse escriba e a esse espaço, essa coluna era a única na imprensa local a apontar tal resultado. Em linhas gerais, o que se leu em outros cantos foi perfumaria.

Todavia, ninguém é dono da verdade, mas a chance de errar menos na análise política é observar mais as tendências ao invés dos números brutos, estudar os números nas entrelinhas do que aqueles que aparecem em gráficos apresentados pelo apresentador de tevê é sempre mais prudente e o caminho menos tortuoso. 

Nas tabulações da época, já era apontado fortemente a tendência do eleitor em votar no candidato da situação conforme conhecimento. Na ocasião alguns eleitores de situação louvaram minha análise como um manifesto a favor da candidatura governista, outros, os oposicionistas, diferentemente, chegaram a me destratar como “mais um vendido” e coisas do tipo. Nem uma coisa nem outra, pois, dispenso tanto aplausos quanto vaias que bebem na água do extremo. Como sabem não faço torcida muito menos jogo pra torcida, meu compromisso é com meu umbigo.

Análise política não é ciência exata. Mas, alguns números ao vento como os econômicos (a economia crescerá esse ano, 7%, aumentando a sensação de bem estar) e o índice pífio de rejeição do governo (4% segundo última pesquisa IBOPE) fazem crescer a suposição de vitória no primeiro turno da candidata do governo.

Enfim, o mais responsável para não se perder a credibilidade quando se analisa o futuro é não perder a capacidade de isenção de analisar as tendências. Muitas vezes a grita na imprensa é o agora, quase sempre muito distante da realidade do dia da decisão.

A única verdade é que eleição é eleição, tudo é decidido no dia de colocar o voto na urna. Contudo, se o (e)leitor tivesse uma memória melhor, seria o fim de muitos palpiteiros que hoje são absortos de certa credibilidade na mídia local e nacional.


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Escrito por Carlos Biasoli   
 
Eleição, a Boca do Jacaré PDF Imprimir E-mail

Desde meados do ano passado que a oposição, especificamente, o candidato José Serra (PSDB), vêem tentando achar o melhor discurso para a sucessão presidencial, o que não é fácil por diversos motivos. Entre os mais difíceis a superar é a sensação de bem estar, por dois fatores importantes, um haver com a economia que crescerá esse ano, segundo estimativas, 7% (é a economia, estúpido!), outro, a figura do presidente qual somado a seu discurso otimista com a sua biografia, eleva a auto-estima do brasileiro mais simples.

Os petistas se deleitam com a desdita tucana em não achar o ponto certo contra o governo. Aécio (PSDB) aventou o pós-Lula quando ainda não pensava na candidatura ao Senado por Minas, mas esse discurso nunca passou de retórica.

Serra, no primeiro momento, buscou o silêncio para evitar o embate antecipado assim como era o desejo de Lula. Isso criou a leitura qual o candidato tucano titubeou em grande parte da campanha até aqui. Em parte essa leitura pode ser correta, mas não como um todo.

Serra agiu certo em não enfrentar um governante qual seu índice de popularidade bate as tampas de 80%. Na visão da oposição, antecipar a eleição seria puxar para a arena, Lula, o campeão de votos e qual nada pega contra ele, em vez de Dilma, a candidata.

Na teoria foi certo esperar por Dilma, a neófita em sufrágios. Outra vez, em parte a leitura pode ser correta, mas não como um todo. Pois, em cima do silêncio tucano, Dilma cresceu no vácuo conforme o eleitorado a reconheceu como candidata de Lula.

E, para os que criticam a inapetência tucana de achar o discurso certo no ponto certo, digo que se esquecem que o PSDB controla até então os dois maiores colégios eleitorais e governaram o país por oito anos. Ou seja, nessa história só tem profissional, de ambos os lados.

Porém, como fazer o discurso pós Lula?

Mesmo os que defendiam que essa eleição seria mais fácil, pois, seria a primeira pós redemocratização qual não teremos esse nome tão forte na cédula, já reconhecem o erro da leitura da “ausência” de Lula. Pelo contra’rio, na verdade Lula estará presente a todo instante, principalmente no horário eleitoral gratuito.

Aí é o ‘mato sem cachorro” da oposição. Os discursos foram variados sem conexão com o clamor popular, por um instante chegaram a desmontar o discurso do Serra do continuísmo, através do candidato a vice, agindo como pau mandado, a oposição requentou o discurso do medo de 2006: “Chavez, Farcs, Bolívia e etc”.

No entanto, a oposição aposta sua bala de prata nos debates, hoje produtos enfadonhos e enquadrados, produzidos de uma maneira que os candidatos não se enfrentem num confronto de idéias com intuito de ganhar o eleitor, todavia, os debates sob a mão pesada dos marqueteiros são feitos para que seus candidatos batam o ponto e não saiam perdendo.

O tempo vai passando e como apontado meses atrás por esse escriba, depois de analisados números internos das pesquisas, não obstante o cruzamento de dados conhecimento vs intenção de voto vs rejeição, Dilma Rousseff (PT) vai caminhando para uma margem de 10 a 15 pontos de frente já na primeira semana de horário eleitoral gratuito, qual terá 40% a mais de tempo de tevê.

Com tudo isso, tempo de tevê superior, cabo eleitoral de grandeza, economia em velocidade de cruzeiro, só resta ao tucanato rezar, pois no jargão político, a boca do jacaré abriu.


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Escrito por Carlos Biasoli   
 
As pesquisas públicas PDF Imprimir E-mail

Deu no Correio Braziliense

De Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi

Quando escrevem sobre pesquisas, alguns jornalistas mostram não conhecer bem o papel que elas têm hoje nas campanhas políticas. Curioso é que mesmo profissionais tarimbados costumam revelar esse desconhecimento e não apenas os jovens repórteres no início de carreira.

Em momentos iguais a este, de aproximação das eleições, veem-se exemplos disso a toda hora. Como saem pesquisas com muita frequência, a imprensa está sempre cheia de matérias que as citam, nas quais se percebe a desinformação de seus autores sobre o que acontece no quartel-general das candidaturas.

Não são todas as campanhas que conseguem, mas todas que podem montam sistemas de acompanhamento dos humores do eleitorado através de pesquisas. À medida que aumenta a importância do cargo em disputa e sobe a capacidade de arrecadação, maior é o arsenal de pesquisas próprias que mandam realizar, para uso de coordenadores e estrategistas.

Faz tempo que as pesquisas quantitativas de intenção de voto se tornaram apenas o pedaço visível desses projetos, pois eles envolvem inúmeros outros levantamentos cujos resultados não são divulgados ou comentados. Ou seja: o que se vê é somente a ponta de um iceberg, cuja parte maior permanece submersa.

No mundo real das campanhas, grande destaque é dado às pesquisas qualitativas, indispensáveis à formulação de estratégias de comunicação. São elas que permitem entender as razões e motivos dos eleitores, por que preferem um candidato em detrimento de outros, o que esperam da eleição, o que não sabem e gostariam de saber dos candidatos. Os marqueteiros costumam olhá-las com mais interesse que os resultados das quantitativas, cujo objetivo é medir quantos pensam de uma maneira ou de outra, bem como identificar que variações existem entre os segmentos (socioeconômicos ou geográficos) do eleitorado.

As campanhas de Serra e de Dilma estão fazendo pesquisas desde muito antes do lançamento oficial das candidaturas. Seus partidos têm o hábito de pesquisar, possuem institutos que tradicionalmente lhes prestam serviços e contam com especialistas, internos e de fora de seus quadros, para assessorá-los em sua análise. A esta altura do processo eleitoral, já fizeram alguns (muitos) milhares de entrevistas e (várias) dezenas de discussões em grupo, a técnica qualitativa mais empregada. Ambos têm em mãos longas séries de pesquisas em todo o país, estado por estado, sempre usando questionários mais elaborados e detalhados que aqueles que se veem na imprensa. De agora em diante, na reta final, essa massa de dados vai aumentar exponencialmente.

Além da parafernália de pesquisas próprias, as duas campanhas têm acesso a dezenas de outras, feitas por correligionários e aliados nos estados, por entidades de classe e empresas do setor privado. Não deve haver um só dia em que não chegue aos comitês uma pesquisa nova.

Faz algum sentido imaginar que campanhas assim organizadas e tão bem abastecidas tenham que esperar a divulgação de pesquisas públicas para tomar qualquer decisão relevante? Que as equipes de Serra e Dilma fiquem roendo as unhas na frente da televisão para saber quem está na frente e quem atrás? Que só resolvam o que vão fazer depois de ler no jornal o que disse uma pesquisa?

Pelo que escrevem alguns jornalistas, pareceria que sim. Seus textos dizem coisas como “antes da pesquisa do Ibope, Serra ia fazer....”, “agora com o Datafolha, Dilma decidiu....”, o que equivale a supor que os candidatos foram inteirados de algo pela imprensa. Que o vasto investimento de suas campanhas em pesquisas próprias é inútil, pois o que contaria seriam as pesquisas hípicas (as que mostram quais cavalinhos estão na frente) que todos conhecem.

Nas disputas eleitorais, as pesquisas publicadas são irrelevantes como instrumentos de informação estratégica, pois as campanhas grandes (e seus apoiadores) sabem muitíssimo mais que aquilo que chega à imprensa e ao cidadão comum. O que não quer dizer que sejam irrelevantes na guerra da comunicação, pois estar publicamente na frente é melhor que estar atrás e isso pode trazer diversas vantagens a quem lidera.


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Escrito por Carlos Biasoli   
 
O resultado das pesquisas em foco PDF Imprimir E-mail

Na semana passada após os números das Pesquisas Vox Populi (Dilma-PT 41%, Serra-PSDB 33% e Marina Silva-PV 8%) e Datafolha (Serra 37%; Dilma 36%; Marina 10%), muitos amigos me ligaram perguntando o porque de tanta discrepância entre os números gerais das pesquisas, alguns tucanos e petistas não perderam tempo e indagaram se os institutos não foram comprados e emitiram números fajutos, a bel prazer da conveniência dos números.

Outros enfatizaram sua descrença em pesquisa e etc. Como já escrevi aqui, não é porque faltou gasolina em seu carro que você deixará de acreditar na indústria automobilística. Da mesma forma quando um instituto erra, não é a ciência ou a estatística que deve ser desacreditada, mas sim, a metodologia aplicada por aquele determinado instituto. Alguns pontos divergentes na metodologia entre os institutos devem ser apontados,mas acho que é cedo para dizer que instituto x errou e y acertou.

Fora o episódio, qual não entendi, do aumento abrupto de Serra na pesquisa divulgada uma semana antes do anúncio oficial de sua candidatura, onde o candidato aumentou mais de 10 pontos na região Sul, qual o diretor do Datafolha deu como causa do aumento o fim das enchentes em São Paulo no Sudeste(sic!), creio que não há motivos para alarmes.

Nessa corrida e embaralhamento dos números, foge aos olhos do leigo a tendência, esta é o que importa. A candidata Dilma tem a vantagem de ser a candidata de Lula (PT), e devido a tendência de grande parte do eleitorado - mais de 25% –, dizer que votará no candidato do presidente, independente de quem for, e como parte desse eleitorado declara voto em Serra demonstrando o desconhecimento em Dilma, fica evidente que a tendência de conhecimento vs declaração de voto favorece a candidata petista. Eu mesmo previ nesse espaço, há meses, que na primeira semana do horário eleitoral –onde o desconhecimento dos candidatos e quais partidos eles representam –, Dilma deverá estar a mais de 10 pontos a frente de Serra. Longe de torcida isso é observação de uma tendência, ela pode falhar, claro que sim, mas hoje os números levam a essa análise, por conta do que apontam todas as pesquisas. Para que o leitor tenha noção, em março desse ano quando Dilma ainda perdia no Nordeste, região qual vence com boa margem hoje, somente 16% da população a conhecia naquela ocasião.

Sobre as diferentes metodologias, dos quatro grandes institutos, o Datafolha é o único que usa metodologia diferenciada. Os demais institutos se baseiam nos números do IBGE que mede em cotas a sociedade brasileira: sexo, idade, renda, escolaridade. A partir desses números e na divisão em cima do número de eleitores de cada estado, traça-se o universo a ser pesquisado. As entrevistas são feitas em domicílio. Por isso, estatisticamente não importa se numa pesquisa foram entrevistadas duas mil pessoas em todo o país enquanto em outra foram entrevistadas dez mil pessoas, com tanto que os institutos respeitem o perfil do universo pesquisado, ou seja, o perfil da sociedade brasileira. O importante a ressaltar é que toda pesquisa tem uma checagem de 20 a 30% para que se evite fraude durante o processo da coleta de dados.

O Vox Populi foi o primeiro instituto a apontar uma subida de Dilma, e é acusado por tucanos de atender interesse dos petistas, da mesma forma os governistas acusam o Datafolha, uma bobagem.

As dúvidas suscitadas contra o Datafolha são justamente na sua metodologia aplicada, feita em regiões de fluxo de gente, qual a checagem de dados é feito por telefone, pessoas sem telefone são descartadas em sua maioria, porém, últimos dados do IBGE mostram que somente 44,4% dos domicílios têm telefone fixo, e somente 75,5% dos domicílios têm usuários de celular. Grande parte desse eleitorado é rural, qual representa 16%. Nesse eleitorado segundo a Vox Populi Dilma vence numa proporção de 50% vs 25%.

Acusar de fraude de forma precitada, um instituto, é errado. No entanto, apontar a discrepância da realidade e a metodologia aplicada por este, é legítimo,

Daí que surge a pergunta óbvia, só agora vimos essa diferença de metodologia? Não, mas só a sentimos agora, porque quando das demais eleições, qual constava Lula na cédula, não tínhamos uma candidatura tão desconhecida pelo grande público.

A guerra midiática abastecida, sobretudo, pelos fanáticos da internet, tem envenenado o debate com teorias de conspiração. Até políticos sérios tem alimentado o descrédito nos nossos institutos de pesquisa que estão entre os que menos erram no mundo. Fica a pergunta, será que isso é bom para nossa democracia?


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Escrito por Carlos Biasoli   
 
Em eleição, quem bate, perde PDF Imprimir E-mail

É comum homens públicos que deveriam sempre se portar de forma polida, mostrarem sua outra face quando ameaçados pela derrota. O que é inerente a qualquer carreira política, a derrota, não deixa de ser o flagelo que qualquer político não aceita.

Por isso e não só, a esperança de muitos, de que, a eleição de agora ou adiante será propositiva e de alto nível, perde-se no meio da mudança do humor dos políticos quando vêem sua vitória ameaçada.

Na história recente, desde a nossa redemocratização, foram poucos os políticos que bateram no adversário e venceram com isso, o público no geral não aceita a baixaria, não aceita o candidato raivoso vociferando contra tudo e todos, mesmo que este esteja certo e ávido para mudança, pois, essa imagem de mudança tem que ser acompanhada de uma leveza civilizada. O político caricato tem lá sua margem dentro do eleitorado, mas ela serve mais para as candidaturas legislativas do que majoritárias.

Há um chavão em marketing político de que “em eleição, quem bate, perde”.

Veja o caso do próprio Presidente Lula, que perdeu três eleições seguidas até vencer na quarta, muitos atribuem sua vitória a mudança ao estilo “Lulinha, paz e amor”.

Tanto que o público condenou a atitude desesperada do tucanato de colocar a Regina Duarte em pleno horário político pregando o terrorismo eleitoral do “eu tenho medo” no embate Serra (PSDB) e Lula.

Mas dirão as más línguas: Lula perdeu uma eleição quando levou pancada de Collor no caso Mirian Cordeiro, ex-esposa que o acusou de ter pedido que abortasse quando grávida. Explico, naquela ocasião, além de ser uma eleição da qual o público ainda estava cru, não deu tempo para que o choque se arrefecesse e voltasse contra a baixaria da campanha do candidato Fernando Collor.

Em eleição recente para prefeito, o ex-prefeito Maggioni já declarou publicamente que errou em ter batido no candidato Gasparini em pleno debate na Rede Globo, aliás, o ex-prefeito Gasparini é o político local que mais sabe agir contra o estilo raivoso, Gasparini, certo ou errado, sempre se faz de vítima de um estalo a outro de dedos, e, por fim, obtém dividendos de tudo.  

Escrevo em meio aos recentes acontecimentos em que o candidato a vice-presidente Índio da Costa (DEM) na chapa tucana acusa o PT de ter envolvimento com o narcotráfico. Atitude que pode alimentar os corvos sectários da direita, mas que no fundo é um tiro no pé, não acrescenta, não soma, somente divide.

O diabo, é que o staff tucano tem experiência em eleições e deveria saber o que funciona e não funciona nos pleitos. Contudo, esse tipo de ação, além de ser ignóbil tira o polimento mais à esquerda que Serra veio moldando desde que decidiu sair candidato numa eleição na qual o maior cabo eleitoral é Lula.

Nem quero cair no mérito pessoal da mentira contada pelo deputado Índio da Costa, da qual ele seria o relator do projeto “ficha limpa”, qual o verdadeiro relator é o deputado José Eduardo Cardozo.

Mantendo-se no tema, quando então da escolha do deputado carioca para vice, naquele momento era o último suspiro do DEM em permanecer na cabeça da chapa serrista, pois o desejo tucano já havia sido exposto publicamente, que seria o senador pelo Paraná, Álvaro Dias, o escolhido por Serra.

Por imposição do DEM, num momento legítimo de sobrevivência política, o nome de Índio da Costa, carioca, jovem de 40 anos, caiu bem. Pois como já discutimos aqui nesse espaço (A escolha do vice http://bit.ly/brS0mN), a escolha do vice no primeiro momento é medida pelo tempo de tevê, muitas vezes longe da conveniência ideológica, porém, em muitos casos, passado essa fase do tempo, o candidato é muitas vezes pinçado para balancear a imagem do candidato, foi assim com José Alencar e Lula, o ex-sindicalista e o empresário; ou no caso de Itamar e Collor, o mineiro e o nordestino e etc.

O caso da escolha de Índio da Costa já deveria ter caído no esquecimento, sua maneira de agir fazendo política com o fígado fez o público reviver que sua escolha não foi um ato programado.

Eleição como sabemos, no fundo é movida à emoção, não se deve esperar muita racionalidade, mas repito: o público não tolera a sujeira sem filtro.

Portanto, é crível afirmar que candidato a vice se Serra fez um desserviço a uma candidatura que já vem em curva descendente, em conluio ou não com o núcleo político tucano, a sua atitude e insistência de incorrer no mesmo erro pode antecipar a missa de sétimo dia da candidatura tucana.


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Escrito por Carlos Biasoli   
 
A escolha do Vice PDF Imprimir E-mail

Muito se debate sobre a escolha do vice e o tamanho de sua importância numa eleição. Entre tantos pensamentos correlatos há os que julgam como premissa o tempo de televisão ganho na coligação entre os partidos, fugindo da nobre “junção” ideológica. Assim, partidos de frentes distintas se reuniriam num balaio de gato para chegar ao poder e ratear os cargos conforme seu peso eleitoral. Isso é o retrato da verdade, mas não o único.

Noves fora, cada escolha do vice norteia de forma distinta, eleições distintas. O Brasil a cada pleito mostra uma novidade, e essa eleição não será diferente. Será a primeira eleição direta pós-ditadura, sem o nome Lula na cédula, será também a primeira eleição que um governo termina bem avaliado e tenta impor seu candidato à sucessão.

Na História, já na escolha do vice na chapa do primeiro presidente civil, mesmo sendo numa eleição indireta após uma estúpida ditadura, sentimos a importância do que o vice possa a ter caso o acaso resolva sorrateiramente nos bater a porta de súbito. E, por força do azar, foi Sarney o escolhido a ser o vice de Tancredo e não Ulisses Guimarães. 

Todavia, há também os que reclamem do ostracismo do cargo de vice, recentemente o vice prefeito Marinho reclamou em discurso, numa inauguração, sobre as agruras da (des)importância do cargo. Vice em muitos casos serve para um governo como serve o pingüim para a geladeira, uma função, digamos, decorativa.

Porém, muitos dizem que se assim fosse os partidos aliados não teriam tamanho apetite na vaga de vice. Não querendo ser esnobe, mas “eu fui o primeiro” a apontar em artigo nessa Tribuna, que o DEM não teria mais chances na chapa de vice de José Serra (DEM na UTI). Num dos últimos suspiros na esperança moribunda do DEM, a prefeita Dárcy Vera chegou a lançar, sem sucesso, em seu twitter o nome da Senadora Kátia Abreu como vice na chapa tucana, nome facilmente refratado, pois a escolha da senadora, vista como a dama de ferro da direita, seria um prato cheio aos petistas que querem tirar o verniz de esquerdista de Serra.

Mas, os exemplos não cessam, entre tantos fatores, para população aceitar eleger um ex-torneiro mecânico como presidente, como ele mesmo elencou, precisou que este colocasse em sua chapa um vice ungido do empresariado. Na História, tenho certeza, o nome do vice José Alencar terá um quisto de importância na aceitação de Lula; todavia, José Alencar esteve ocupado na maioria do seu mandato na vice-presidência, a parlar monotematicamente feito um papagaio sobre os juros altos. 

Itamar Franco, o homem que assumiu após o fatídico impedimento de Collor e conduziu o país a estabilidade, mesmo tendo aqueles que escondem a cronologia dos fatos e desejando não dar a devida importância ao mineiro.

Quem teve papel importante recentemente foi o vice-governador Cláudio Lembo, conduziu um estado em meio a uma crise de segurança no estado de São Paulo, imposta por um grupo criminoso (atentados do PCC em 2006), problema herdado de Alckmin que havia deixado o cargo para disputar a eleição presidencial.

E o vice da Dilma Rousseff está resolvido há tempos, mas não fosse a postura firme do PMDB em impor o nome do seu presidente, Michel Temer, hoje estaria na chapa, assim como era o desejo do presidente Lula, o nome do neopeemedebista Henrique Meirelles, presidente do Banco Central, a ocupar a vaga.

Até Ciro Gomes entre tantos tropeços políticos nos últimos tempos, tentou se impor como vice de Aécio, caso esse não tivesse sido defenestrado da chapa presidencial, Ciro aceitaria então a ser vice mesmo que fosse numa chapa encabeçada pelo PSDB, partido qual foi fundador e saiu atirando e qual disse cobras e lagartos, chamando os tucanos de entreguistas, imorais e coisas do tipo.

Já o vice dos sonhos do tucanato seria Aécio, ele uniria os interesses tucanos, resolveria a aceitação nas Minas Gerais pelo nome de Serra, daria respaldo e ajudaria formar a chapa dos sonhos emplumados, “puro-sangue”. Mas Aécio enxerga como desperdício ocupar essa vaga, tem 50 anos de idade e muita coisa pela frente, prefere disputar uma eleição tranqüila ao Senado Federal. Mas não se engane, caro leitor, a pressão sobre Aécio para ser o vice continua.

De toda forma, conversando com um cacique da candidatura serrista ele declarou que Itamar Franco trabalha para ser o vice de Serra, mas mesmo dentro do PPS não tem apoio. E como é público, a noiva agora é o nome do senador Francisco Dornelles, do PP, que acrescentaria em 4 pontos importantes: Ele é primo de Aécio e sobrinho de Tancredo, de alguma forma os tucanos acreditam que Aécio estaria mais engajado na campanha. Ele não representa o PP de Maluf, é do Rio de janeiro, colégio eleitoral muito importante qual o tucano sofre para montar palanque. E por fim, traria mais tempo de televisão.

Porém, rumores indicam que o PP possa ficar neutro na disputa, o partido comanda o Ministério das Cidades no governo petista e pode preferir não arriscar.

Já no PV de Marina Silva, Guilherme Leal, empresário e presidente da Natura, foi oficializado vice na chapa da senadora.

Numa eleição a escolha do vice se mostra uma obra mutante em sua importância e os dados devem rolar até o final de junho quando das convenções partidárias. A conferir.


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Escrito por Carlos Biasoli   
 
Pesquisas, tendências e o modo errante de uma cand... PDF Imprimir E-mail

artigo publicado Jornal ATribuna

Os números da pesquisa IBOPE/CNI vieram como um golpe duro, mais um, para a campanha de José Serra (PSDB), na disputa da corrida presidencial.  Sobretudo, porque a coleta de opinião ocorreu após a veiculação do programa do PSDB em rede nacional, e, em seguida a propaganda dos aliados PPS e DEM.

A pesquisa ratificou uma tendência apontada por essa coluna, meses atrás, no quesito conhecimento vs. intenção de voto.  Nos números da pesquisa atual, a candidata petista, Dilma Rousseff (PT), abriu uma dianteira de cinco pontos (40% x35%), desde a última pesquisa IBOPE, quando foi apontado empate técnico entre os candidatos (rompendo os números da margem de erro de 2 pontos para mais e para menos).

O importante a ressaltar, e o que deve estar pesando na cabeça dos aliados da campanha tucana, é por que o candidato da oposição não conseguiu subir ou, ao menos, segurar a subida do campo adversário, com tamanha exposição. Ao contrário, a pesquisa apontou outro problema, um movimento contrário que aponta a saturação da imagem de Serra, onde sua rejeição subiu para 30% (eleitores que afirmam que não votariam nele de jeito algum), contra 23% na pesquisa Ibope anterior.

E mais, o que o horário de televisão não vai conseguir mudar, ao menos em curto prazo, é a tendência do eleitor  que deseja votar no candidato indicado pelo presidente.  

Enquanto a campanha tucana apostou na escandalização e na demonização dos adversários, e, viveu do recall de Serra, nome presente em outras campanhas. A campanha petista fez a lição de casa, conseguindo colar a imagem de Dilma em Lula (com aprovação recorde de 85%); para alguns articulistas que misturam torcida com análise técnica, a subida da petista foi uma surpresa, bobagem, pois, a subida da candidata governista é a confirmação de uma tendência.

Essa tendência, qual reafirmo, de cunho cientifico, é baseada em cima dos números apontados por quase todas as pesquisas. Ou seja, mais de 25% dos votos que ainda são de Serra, podem ser transferidos à Dilma, pois essa parte do seu eleitorado diz desejar “votar em quem o presidente apoiar”, por sua vez, essa parte desconhece o apoio de Lula à Dilma. Portanto, quanto mais esse conhecimento cresce, cresce a transferência de votos do tucano para a petista. Na linguagem futebolística, assim como gosta o presidente Lula, é um jogo de seis pontos, pois a cada três pontos perdido por Serra e ganho por Dilma, a diferença aumenta em seis. Para tristeza do tucanato, hoje, somente 73% sabem que Dilma Rousseff é apoiada pelo presidente Lula. Três meses atrás, o índice era de 58%.

Com Marina Silva (PV) estagnada (9%), sem tempo de tevê e com discurso calcado numa candidatura monotemática, e com a candidatura tucana sem rumo, com indecisões crônicas e com divergências públicas entre os partidos aliados que ameaçam até romper a aliança, muitos analistas apontam que a eleição pode e deve ser definida em primeiro turno, some-se a isso que a candidata petista depende, segundo os números da pesquisa IBOPE, de mais dois pontos para tal fato.

Caso a campanha não sofra nenhum sobressalto (denúncia ou escândalo grave), a tendência é de que na primeira semana de campanha na televisão, quando o índice de desconhecimento chega a zero, Dilma esteja de 10 a 15 pontos à frente de Serra. Caixão e vela preta, como dizem por ai.

O diabo é que os tucanos apostaram por muito tempo e ainda apostam mais no erro do adversário do que nas suas próprias virtudes e propostas. Postura e modos insuficientes para vencer a eleição.


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Escrito por Carlos Biasoli   
 
Os debates eleitorais PDF Imprimir E-mail

Muito se discute sobre a importância do debate eleitoral numa eleição, a história nos mostra que os debates já foram decisivos em muitos pleitos, porém, por conta da legislação, eles perderam a força principalmente no primeiro turno das eleições quando os candidatos são muitos e a temática e o formato são pré-definidos em embates muito regulamentados de maneira que o candidato bem instruído pelo profissional de propaganda possa escamotear as suas verdadeiras idéias, ou, até mesmo, opiniões e intenções que lhe custem voto. Ou seja, é fácil o artificial ser soberano em qualquer debate eleitoral.

Segundo alguns registros, o primeiro debate no Brasil foi em 1974 no Rio Grande do Sul numa eleição ao Senado, quando este escriba nem ao mundo tinha vindo.

Já mundialmente, o marco dos debates eleitorais na televisão foi o entre John Kennedy e Richard Nixon, na década de 60, que teve uma audiência estimada em mais de 90 milhões de pessoas, entre elas, somente 15 milhões ouviram pelo rádio. Muitos dizem que pela primeira vez a imagem fora determinante numa eleição, pois Nixon mal barbeado, sofrendo de sudorese e, enquanto respondia as questões, suava as bicas, enquanto Kennedy, sempre muito galante e sorridente, olhava diretamente paras as lentes da tevê. Nixon passou a vida toda dizendo que a maioria das pessoas que somente escutaram o debate, achou que ele havia vencido, enquanto que, os demais que assistiram seu suor em rede nacional, acreditavam piamente que ele havia perdido.

No país, o mais marcante, que serviu como base e teses sobre o antijornalismo, foi a edição do dia seguinte do Jornal nacional do debate do segundo turno, entre Collor e Lula. A rede Globo foi acusada de ter favorecido, Collor, na edição dos melhores momentos de um e nos piores do outro, e, no tempo dado a cada candidato, já que Collor teve um minuto e meio a mais do que Lula. Devido as tamanhas controvérsias, anos depois foi redigida uma lei para aumentar a segurança no processo, e que, trata especificamente dos debates.

Dos memoráveis debates, quando ainda não era engessada a maneira de se debater na tevê, destaco o “embate” entre Jânio Quadros e Franco Montoro, uma guerra e uma aula; de uma classe acima da lavação de roupa suja, entre Paulo Maluf e Leonel Brizola em 1989.

Ainda frescos das regras, alguns políticos sucumbiram em pegadinhas em debates que foram cruciais nas eleições. Por exemplo, a vez que Boris Casoy perguntou a Fernando Henrique Cardoso se ele acreditava em Deus, o que lhe custou a eleição para prefeito de São Paulo. 

O mesmo FHC que escaldado de debate não compareceu a nenhum debate nas suas duas eleições para presidente. Lula fez o mesmo no primeiro turno de 2006, entretanto, a imagem da cadeira vazia mostrada pelo apresentador lhe custou a vitória da reeleição em primeiro turno.

O que deve se ressaltar é como os partidos e os marqueteiros souberam também explorar o pós-debate numa tabelinha entre mensagens subliminares impostas já nos debates. Pra quem tem memória boa deve se lembrar que no debate do segundo turno de 2006, Lula disse que o PSDB só sabia “privatizar, privatizar, privatizar”, dias depois se disseminou a idéia que Alckmin queria vender as estatais, entre elas, os Correios, Caixa Econômica Federal e a Petrobrás. Alckmin passou parte da campanha tendo que se explicar e até usou chapéu cheio de marcas das estatais, parecendo um piloto de corrida. Mais, Lula, que é um fenômeno de comunicação com as massas, perguntado sobre a truculência de Alckmin no debate, disse: “Ele parecia um delegado de porta de cadeia”, foi suficiente para cair a pecha de truculento no candidato tucano, o que contribuiu para que este tivesse menos voto no segundo do que no primeiro turno, de forma vexatória e inédita.

A acusação agora, desesperada, do ninho tucano é que a candidata petista, Dilma Rousseff não comparece aos debates, mesmo ela tendo já acordado a presença em quatro debates pela tevê. Sinal dos tempos, reflete a idéia de que Serra começará o horário eleitoral atrás da petista, pois é comum, o desejo de quem está atrás querer o debate enquanto de quem está à frente evita-lo. A aposta tucana é na falta de experiência da petista na arena televisiva.

Contudo, os candidatos nanicos, dessa vez avisaram as grandes emissoras que não abrem mão de participar, dizem que farão valer a lei, o que deve prejudicar ainda mais a liberdade e o entendimento no debate dessa eleição.

Enfim, todo debate é uma incógnita, e sua importância tanto pode chegar a insignificância quanto pode decidir uma eleição. A conferir.


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Escrito por Carlos Biasoli   
 
O apocalipse do crescimento econômico PDF Imprimir E-mail

A política de juros altos é uma das bases do plano real, depois da bancarrota de 98 (a terceira na era FHC), ela se somou ao plano exigido pelo FMI, para que o país mantivesse o tripé econômico formado pelas metas de inflação, câmbio flutuante e superávit primário.

Alguns políticos fizeram demagogia a vida toda com a taxa Selic, inclusive do atual governo, até mesmo o vice José Alencar passou grande parte do mandato reclamando da alta da Selic. A verdade é que a taxa de juros sempre criou arrepios no setor produtivo, mas, diga-se de passagem, o COPOM mostrou que errou menos que o esperado.

Quando se iniciou o governo Lula, a grita foi em cima das taxas mantidas pelo Ministro da Fazenda da época, Antonio Palocci. Todos reclamavam de uma política de juros ortodoxa, até mais conservadora que a do governo anterior. Porém o país foi recebido com a inflação na casa dos dois dígitos, e praticamente sem reservas cambiais e devendo para o FMI.

Sem esse entendimento e sem levar em conta que países são diferentes, assim como a maneira como eles crescem é diferente, é legítimo dizer que estudos comparativos não servem pra nada se forem fincados somente no número de crescimento global sem levar em consideração a idiossincrasia de cada país, crescimento demográfico, distribuição de renda e etc.,

Em meados de 2007 era comum ler nos maiores jornais do país, manchetes apocalípticas do tipo: “Brasil terá 2º pior crescimento da América Latina”, “Em 2007, podemos empatar com Paraguai...” e por ai vai, “Perdemos a chance do futuro”.

Por outro lado, nossas metas de inflação, nos últimos anos, ficaram na média de 5% ano e nossas reservas cambias passam de $ 250 bilhões. É pontual apontar que nossa dívida pública chegou a baixar quase 20 pontos e foi só subir somente com a crise de 2008 qual o governo precisou gastar mais para manter a economia aquecida, levando em conta, o aporte aos bancos públicos para que estes irrigassem o mercado interno com crédito que era escasso no mundo inteiro naquele momento.

Porém, há um ditado que não devemos matar o paciente com excesso de remédio. Agora a grita do jornalismo econômico e de alguns agentes do mercado que agem irresponsavelmente com o país, não levando em conta os dados fundamentais, é de que o crescimento de 9,5% ano constatado no primeiro trimestre desse ano, é inviável para o país, as manchetes como o leitor pode notar são contrárias as de 2007, incongruência é mato no jornalismo econômico. Acrescente também que essa nênia midiática avalizou essa esdrúxula alta de 0,75% na Selic.

Daí que surge a minha dúvida, a quem essa gente serve, será que as manchetes apocalípticas e o bate panela em rádios e TVs são válidos? Esses escândalos em forma de manchete contra o crescimento servem para vender mais jornal, é incoerência pura ou tudo serve para meia dúzia de especuladores?

Não existe crescimento chinês no Brasil. Portanto, é necessário informar melhor o cidadão que esse crescimento de 9% é sim robusto, mostrou que nossa economia vai melhor do que as demais do mundo, todavia, é em cima de uma base que ainda sentia os efeitos da crise (baixa), aonde os estoques durante esse tempo precisaram ser repostos, e, que, as previsões são de um crescimento para este ano na casa de 7%, mais, a economia no final do ano por vários fatores estará numa velocidade de 4% ano.

Algumas inverdades criam vida no imaginário brasileiro e o jornalismo econômico ainda não se encontrou com a realidade, em casos mais extremos, ler articulistas econômicos tem tanta seriedade quanto jogar tarô.


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Escrito por Carlos Biasoli   
 
Roberto Carlos, Stockcar, Agrishow e Darcy Vera PDF Imprimir E-mail

Artigo publicado no Jornal A Tribuna Ribeirão

Falar do “complexo de vira-lata” do brasileiro já virou clichê, mesmo que seja uma tese nascida da frase do Nelson Rodrigues, esse gênio da raça do teatro mundial que entre outras coisas, foi um grande frasista, que sobre o complexo ainda escreveu: “o brasileiro é um narciso às avessas, que cospe na própria imagem. Eis a verdade: não encontramos pretextos pessoais ou históricos para a auto-estima”.

Pois se diga, a frase ficou datada, devido a melhora da vida do brasileiro nos últimos anos, melhoras como o aumento da renda das famílias e o deslocamento de classes para cima de mais de 20mi de famílias, o país vive um novo tempo. Um tempo que buscamos a passos largos um protagonismo internacional. Já somos mais respeitados lá fora do que éramos, independente dos nossos resultados no futebol, ou das nossas mulatas desnudas. Acrescente nesse panelão, a incorporação da lei fiduciária que ajudou no financiamento de bens para o povão e o aumento do microcrédito. Enfim, estamos longe se der uma potência, mas o país vai muito bem obrigado. Ainda somos um dos campeões de desigualdade social, nossa educação está muito longe de ser a ideal, enfim, os problemas são muitos e fazem parte de um processo de melhora que tem haver com toda nossa história.

Todavia, é nas praças mais longínquas que ainda resiste o complexo vira-lata, ou mais, some a esse complexo, o espírito de porco e o provincianismo que nos acomete na política local.

Antes de qualquer coisa, saiba o leitor, esse ser sem perdão, que não tenho procuração para defender a prefeita Darcy Vera, faço acrescentar que, das vezes que a encontrei de forma esporádica, nosso contato não passou de uma breve cordialidade. 

Mas, Darcy sofre e luta contra muitos provincianos, dentro da sua base, e até mesmo de vereadores do seu partido. Quantas e quantas vezes surgem desinformados a fazer analogias sobre os grandes eventos patrocinados e/ou incentivados pelo executivo municipal como se estes prejudicassem o restante do governo? Todavia, tenho consciência que algumas áreas demandam mais atenção de um mandatário e que os problemas de uma administração de uma cidade do tamanho de Ribeirão são muito grandes, porém, uma administração é feita de muitos comandados e a vida não deve ser movida pelo pensamento binário, justamente porque as demandas são muitas e tamanhas.

Contudo, comparações das mais insólitas surgem nos becos da política e nos botecos da vida: “morre-se gente enquanto a prefeita traz o Roberto Carlos”. Ora, desde que Roberto Carlos começou a cantar, imagino eu nos anos 60, morre-se gente nesse mundão de Deus.

Outrora falam mal da Agrishow (nem vou falar da desonestidade intelectual que políticos do PSDB quiseram fazer em se autovangloriar pela manutenção da Feira, sendo que eles foram pusilânimes e quase deixam Ribeirão perder a Agrishow), outros reclamam da dedicação da prefeita em trazer a Stockcar, alguns chegam a chamá-la de organizadora de corridas...

Pois bem, para quem refresca a memória, um dos grandes erros da eleição passada, a síntese da pequenez e do complexo vira-lata, foi Geraldo Alckmin dizendo demagogicamente que venderia o avião presidencial para construir dois hospitais (sic!).

Pensar grande não deixa de ser uma qualidade e saber entender o perfil de uma cidade é louvável. Pois bem, é um erro dizer que Ribeirão não é uma cidade industrial, a pouco fomos declarados como um pólo tecnológico, mas a cidade se destaca mesmo é pela sua excelência no comércio e no setor de serviços.

Ribeirão deve investir mais ainda mais na sua vocação, atrair novas faculdades, novos centros de comércio, grandes atacadistas e varejistas, grandes hotéis e centros de convenções  e etc.

A população flutuante de Ribeirão Preto é significante, passa dos 100mil habitantes, o mais interessante que muitos aqui acabam seguindo sua vida e o mais importante, é difícil a pessoa deixar de fechar algum negócio na cidade.

O mais difícil para quem vive do comércio ou de serviços é aparecer ao consumidor. Seja este um profissional liberal ou um comerciante, quando o cliente aparece a sua porta, o caminho é meio andado.

E eventos e grandes feiras de níveis nacionais e internacionais, fazem o melhor que uma cidade do nosso perfil pode querer, ou seja, eles trazem o cliente, trazem os turistas que aqui dificilmente deixarão de fechar algum negócio.

Talvez o néscio que critica de forma simplória eventos desta monta não saiba o quanto cada turista deixa na cidade a visitá-la, qual a referência e a forma que ele vai vender nossa imagem em sua cidade, mal sabe esse simplista o quanto o setor de restaurantes, hotéis e o comércio ganham com a cidade aquecida por um grande evento, nem quantos empregos são gerados. 

Por isso não faço coro, com estes que carregam as palavras com pequenez. Que venham mais eventos e que o executivo municipal possa se empenhar cada vez mais para tal. A cidade agradece.  


Comentários (1)
Escrito por Carlos Biasoli   
 
A costura lulista e a (des)contrução de imagens PDF Imprimir E-mail

Artigo publicado no Jornal A tribuna Ribeirão

Mesmo que o fim não chegue a ser o desejado pelo presidente Lula, mas data vênia, todo o jogo e tabuleiro armado durante as eleições desse ano são frutos da cabeça do “cara”.

Com a saída de Ciro Gomes (PSB) da corrida presidencial se reforça ainda mais essa convicção, o muito que se falava pelos cantos era que tal atitude ajudaria o candidato da oposição, José Serra (PSDB). As últimas pesquisas Vox Populi e Sensus mostraram o contrário, assim como imaginou o presidente e condutor de toda a embate eleitoral. Dilma Rousseff (PT) aparece à frente nas duas pesquisas, em empate técnico é verdade, que mostram que ela foi quem mais se beneficiou da saída de Ciro Gomes, e que, o pleito deve ser decidido no tête-à-tête assim como é o desejo palaciano, em bom português a eleição se desenha plebiscitária e com muitas chances de ser decidida em primeiro turno, pois Marina Silva (PV), estacionada nos 8% não cresceu e tem pela frente uma discrepância a vencer maior que uma montanha no tempo de tevê para os demais protagonistas dessa eleição.

O que muito se discute e o que tira mais o sono dos tucanos é o quanto o presidente irá influir, mais do que já influi, na campanha. Até quanto pode chegar a sua transferência de votos. Numa análise seca, na última pesquisa Vox Populi, em torno de 30% disseram que votariam em quem Lula indicasse ao cargo.

Constata-se então, a existente entre os que sabem quem são os candidatos e os que “ainda não sabem” quem são. Serra tem o recall de outras pelejas, é o candidato mais conhecido. Veja bem, por ora, somente 70% dos eleitores sabem que Dilma é a candidata de Lula.

Assim sendo, a leitura analítica de uma pesquisa, entre tabulações e cruzamento de dados, deve ser técnica longe das paixões, seguindo a premissa de “conhecimento” vs “voto em quem Lula indicar”, chegamos a conclusão que 30% dos 30 pontos de desconhecimento da candidata petista, somando esse ganho com a diferença já existente, Dilma chega a ter 11 pontos a mais na intenção de voto do que  Serra, ou seja, caixão e vela preta.

Já a pesquisa Datafolha recente que apontou empate técnico entre os dois principais candidatos cria dúvidas sobre o comportamento do instituto no pleito, pois nos dias 25, 26.04, dias antes da convenção da pré-candidatura tucana, o instituto trouxe números fora da curva que vinha desde o começo do ano apontando aproximação dos principais candidatos, a pesquisa dava uma vantagem para Serra de 10 pontos e apontava como principal fator a tendência no Sul (50x22),mas o argumento foi a cessão das enchentes no Sudeste (sic!), já o empate de agora é explicado pela a aparição de Dilma com Lula na tevê, porém, o Datafolha só veio a confirmar a tendência apontada pelos demais institutos. Outros números importantes, Dilma diminuiu seu resultado de rejeição, seu índice caiu para 20% enquanto o de Serra subiu para 27%. E o pior foi o "x"  -quando os números se invertem no gráfico -no segundo turno, a petista tem 46% vs. 45% do tucano. No fim de abril, na fatídica pesquisa, Serra estava dez pontos à frente da petista nesse quesito, 50% a 40%.

Como já foi discutido nesse espaço, muito pode acontecer, candidatos cometem tropeços, mostram-se mais reais e menos ou mais palatáveis ao gosto do eleitor que assiste ao horário eleitoral gratuito, a ferramenta que mais influi numa campanha hoje em dia. Todavia, os tucanos devem colocar suas barbas de molho e não podem depender somente do acaso, o discurso vai precisar ser vitaminado de uma maneira que neutralize esse sentimento.

Portando, a maior luta tucana, com muita dificuldade diga-se, é conseguir separar o sentimento de mudança vs. continuísmo, pois como o país estará crescendo a 7% em plena eleição, a economia terá, portanto, papel preponderante nessa história. “É a economia, estúpido”.

Muito ainda se discute quem serão os vices nas chapas de Serra e Dilma, o que pode ser inócuo, pois o desenho formado é que a maior influência durante essa campanha será a fala de Lula, que tem o poder de fazer uma declaração sua lá no semi-árido nordestino chegar aos ouvidos do eleitor mais longínquo em todos os demais cantos do país.

Com muita dificuldade os tucanos conseguirão vender a idéia de que eles são a mãe dessas conquistas recentes e, que, Lula foi somente a sua continuidade. Por fatores diversos que variam de sorte, maneira diferenciada de governar e comunicação com as massas, o presidente Lula, com aprovação pessoal acima dos 80%, sabe vender esse espírito de bem estar ao povo diferente de FHC, que carrega uma rejeição nas tampas. Eleição é sentimento.

Os tucanos se defendem dizendo que agora não é uma eleição Lula vs. FHC, e sim, Serra vs. Dilma. O argumento contrário é que os dois foram ministros importantes nos dois governos, algo indelével e fácil de ser trabalhado por qualquer marqueteiro de botequim.

O discurso inconformado, à boca pequena, de muitos segmentos políticos da oposição é a constatação que talvez a escolha tenha mesmo sido errada nessas eleições, pois Aécio sim, traria fator novo à eleição e comparada sua simpatia com a de Dilma, que faz um esforço hercúleo para se fazer minimamente simpática, o ex-governador mineiro se mostra um político extremamente mais palatável e tem acima de tudo, o fator novidade. Serra assim como Dilma traz o ranço do mau humor.

Noves fora, colocar Aécio de vice seria amenizar essa concepção e uma manobra muito arriscada a sua biografia, que deverá incorporar outros carnavais e, consequentemente, terá muita lenha pra queimar.

A campanha de Dilma tem o desafio de mostrá-la mais amena e menos arrogante, por outro lado, a campanha de José Serra tem que mostra-lo como o melhor sem a cara de mudança.

Como toda eleição seguinte, aprendemos mais com o exercício da democracia e o marketing político deve se somar a esses novos entendimentos. O novo sufrágio não será somente um aprendizado para todos nós, mas um novo tempo para o marketing político nas eleições nacionais. Não fugindo do lugar comum, a eleição será uma guerra de (des)construção de imagens.


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Escrito por Carlos Biasoli   
 
Eleições e Ilusões PDF Imprimir E-mail

Marcos Coimbra é um craque, hj tem a melhor analise política do país, sempre equilibrado, o articulista descorre sobre temas diversos com texto irretocável.

De Marcos Coimbra, presidente do Instituto Vox Populi

Enquanto a grande maioria da população dá sucessivas mostras de estar satisfeita com o governo, continua a existir uma parcela da opinião pública que não. Dentro dela, há quem tenha alguma simpatia por Lula e até enxergue virtudes em seu trabalho, admire sua trajetória ou ria de suas tiradas. Mas não gosta do governo e, quase sempre, tem ojeriza ao PT. São aqueles que aceitam o presidente, mas não querem que sua turma permaneça.

 

A existência desse tipo de sentimento fica clara nas comparações entre a avaliação do governo e o desejo de continuidade. Nas pesquisas, a proporção dos que o aprovam enfaticamente, dizendo que é “ótimo” ou “bom”, anda na casa dos 75%, e há outros 20% que o consideram “regular”. Somados, beiram os 95%, o que deixa apenas 5% da população para repartir as opiniões de que é “ruim” ou “péssimo”.

 

Quando, porém, se pergunta a respeito de quanto do que Lula faz gostariam que fosse mantido, mais de 20% dos entrevistados responde que preferiria que houvesse mudanças na maior parte ou na totalidade das políticas. É verdade que a opção por mudanças completas é pequena e corresponde quase exatamente à da avaliação negativa. Ainda assim, deve-se registrar que há mais pessoas que o aprovam (agregando avaliações positivas e regulares) que querendo a continuidade de tudo (desejo de 35% delas) ou da maioria das coisas (40%) que faz.

 

Para alguns dos que querem mudanças, o gesto de Lula, quando escolheu Dilma para sucedê-lo, soou como bravata. É como se ele a tivesse indicado pelo que ela não tem (experiência eleitoral, carisma, jogo de cintura) somente para afrontá-los. “Inventar” uma candidata como ela seria um arroubo de poder, tornado possível pela escassez de lideranças dentro de seu partido. Querer que ela ganhasse seria, no entanto, ir longe demais, atribuir-se uma missão de altíssimo risco, apenas pelo gosto do desafio e a perspectiva de, obtendo sucesso, infligir uma derrota humilhante ao que resta de oposição.

 

Cada um desses eleitores olha para Dilma e não a vê como simples candidata, em quem se pode ou não votar em função de escolhas racionais. Para eles, ela é uma espécie de provocação ambulante, a encarnação de tudo de que não gostam em Lula, no PT e no governo.

 

Enquanto ela permaneceu lá atrás nas pesquisas, o mal era menor. Ao contrário, muitas dessas pessoas ficavam felizes a cada confirmação de que o sonho onipotente de Lula estava ameaçado. Quando, no entanto, ela começou a subir, o quadro se complicou. Não é que o impossível passou a ser provável?

 

Uma parte relevante da mídia brasileira compartilha esses sentimentos. Na verdade, em algumas redações, estão muitas das pessoas mais extremadas nessa mistura de desaprovação ao lulismo e indignação frente à hipótese de Dilma vencer.

 

Nenhum problema nisso. Afinal, editorialistas, colunistas e repórteres são também filhos de Deus, e possuem as mesmas prerrogativas das pessoas comuns. Têm todo direito de não gostar do que não gostam.

 

O que é discutível é permitir que suas preferências interfiram em seu trabalho a ponto de comprometê-lo. Por exemplo, deixando-se levar por elas na hora de informar a opinião pública sobre o que está acontecendo na eleição.

 

Um tom de indisfarçável torcida marcou o noticiário de abril. Quem leu o que vários órgãos da chamada grande imprensa publicaram só ficou sabendo dos “erros de Dilma” e os “acertos de Serra”, os primeiros provocando o “desespero” de Lula e abalos na coligação governista, os segundos gerando empatia na sociedade e novas alianças políticas. Foi informado de que o saldo disso seriam “novas pesquisas”, que mostrariam o avanço de Serra.

 

Pode ser que venham, mas ainda não chegaram. O que todas as conhecidas apontam é para um cenário de estabilidade: quando se comparam os resultados do final de março, antes da desincompatibilização, com os do final de abril, nada mudou. No Datafolha, a distância entre Serra e Dilma aumentou um ponto, no Ibope, dois. Ou seja, ficou igual. É o mesmo que indicam outros levantamentos, ainda não publicados. A marola do noticiário não parece ter alcançado, pelo menos por enquanto, a imensa maioria do eleitorado. E será que vai tocá-la nos próximos meses?

 

Torcer é bom e faz parte da política. Querer que seu candidato vença e os outros percam é um sentimento natural. Mas torcer não rima com informar.


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Escrito por Carlos Biasoli   
 
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