Porque amanhã vai chegar todo mundo dizendo que você tem de fazer isso, fazer aquilo, como uma chantagem qualquer. E eu não estou habituado a ceder a chantagem
Muitos como eu devem ter ouvido Mutantes pela primeira vez e devem ter dito algum palavrão, tamanha a surpresa que essa banda nos proporciona. Mutantes sempre foi uma banda única, a mais original de todas nacionais. E Arnaldo Baptista, o cérebro louco do grupo, sempre foi um cara subjulgado como louco, claro, e déposta, esse último adjetivo por ter alimentado a idéia de q havia expulsado Rita Lee do grupo, algo depois desmentido no filme Loki - Arnaldo Baptista.
Arnaldo se perdeu em um momento da sua carreira, da sua vida. E veio se encontrar bem depois. Lembro até, de anos atrás, do lançamento de um CD inédito seu, numa revista daquelas em q o Lobão lançava em bancas de jornais. Ele já n era mais o mesmo, mas era importante rever a sua volta.
Porém, ele é feliz porque fez da sua arte sua vida, seu propósito, ou como ele mesmo canta na canção: "Mas louco é quem me diz, e n é feliz, eu sou feliz!"
Muitos culpam alguns artistas por n terem acompanhado o tempo. Eu por outro lado n cobro determinados comportamentos na arte. Pra mim pouco importa se o artista é de vanguarda, lúcido, político, ateu, ou no Brasil, uma coisa levada muito a sério, o artista tem q ser bonzinho.
Sobretudo, sei respeitar o clássico, n dá pra cobrar de Arnaldo q ele traga a bandeja do novo como trouxe nos anos 60 e 70 com "sua guitarra Gibson e seus sintetizadores valvulados", mas diferente do q a frase possa criar em vc leitor, adianto, Mutantes é clássico, e todo clássico n perece as aguras do tempo.
Alguns artistas até trazem o novo e quase sempre estão na vanguarda... mas tirando uma monta de gatos pingados, sempre me soam fakes. E a roupagem do Clássico muitas vezes n é imediata, ela depende um tempo de maturação, qtos exemplos eu poderia citar aq, de bandas q n tiveram bem nas paradas ou em listas, ou de artistas n muito quistos em sua época, mas q depois de um certo tempo, influenciaram roupagens e tendências novas num movimento q seja ser atávico.
Num festival na minha cidade vieram os Mutantes, na sua volta com nova formaçao, da qual Arnaldo n faz mais parte. Naquela noite, ele já nem tocava mais, n fazia quase parte da banda. Ficava ali no seu teclado de óculos apreciando tudo, soberano. Eu nem aí com a paçoca, estava feliz de estar à sua frente e a reverencia-lo como um grande cara dum tempo pasado, do atual e de um tempo futuro.