Por Carlos Biasoli João Cunha é uma figura estranha, às vezes ele emerge das sombras como mesmo escreveu no seu artigo (Tirem as mãos da Feira do Livro -1/12/09) aqui no TRIBUNA; com toda sua pompa de “poeta” fez um texto maniqueísta e longe da verdade. Além do que, aproveitou pra fazer o que mais sabe e com maestria, é verdade: autovangloriar-se. “Ninguém depois fez ou teve a influência e notoriedade política vivida por mim” (sic!). Mas “não se sabe em nome de quem e de que interesses” o porquê de João ter escrito texto com tanta falta de informação, para não dizer bobagens. Pois, é de ciência de todos que há uma CEE na Câmara dos Vereadores em curso sobre a Feira do Livro, que se enfatize aqui, é um patrimônio de todos, e tem no seu cerne a disseminação do ato da leitura, uma conquista de toda sociedade ribeirãopretana, de letrados a pessoas pouco acostumadas com a leitura. E não somente dos autoaclamados “homens superiores”. A CEE até então levantou suspeitas de superfaturamento e problemas na gestão e na prestação de contas da Feira. Dizem que a organização usa dinheiro público e a estrutura da Secretaria da Cultura, mas que presta contas como se fosse uma empresa privada. Portanto, cabe a seguinte questão, se for comprovado a lisura da organização no manuseio das verbas públicas e na prestação de contas, não há porque mudar a forma de como a feira vem sendo conduzida. Mas, leitor que me cede esse precioso tempo, comprovadas as divergências nas contas pela auditoria contratada pela CEE, porque João ou qualquer outro cidadão de bem, irá defender que a Feira não seja administrada pela Secretaria da Cultura qual tem a obrigação de prestar contas? Ou seja, “não se sabe em nome de quem e de que interesses” o nosso pilar da intelectualidade ainda defenderia que tudo fique como está. Por isso acredito que João movido pela ansiedade de luz escreveu tal artigo. E eu por minha parte, vou esperar a apuração das contas para tomar partido. Picuinhas dentro, eu não tenho procuração pra defender ninguém, mas sou contra a maledicência gratuita, pois o texto do nosso “nobre poeta” usa das belas palavras -dom que a vida lhe deu -, pra ofender e não esconde o ranço preconceituoso contra a Prefeita e alguns Vereadores de Ribeirão Preto por sua origem humilde. Julgando-se sempre como um “homem superior”, como assim escreveu, nosso proxeneta do Aurélio não abre mão dos adjetivos ofensivos como, (...) peões, emergentes sociais e ignorância sem limite etc. Esse tipo de maniqueísmo barato empregado pelos senhores da decoreba (duvide dos colunistas que vivem das citações) já foi usado por todos “ismos” do século passado, como forma de aprisionar as mentes para interesses de segregar e subjugar os pilares da democracia. Chamar a Prefeita de “promotora de corrida de carros” é de um simplismo atroz que não condiz com a sapiência do nosso “poeta maior”. Poderíamos classificar a Prefeita como promotora de feiras de agronegócio também, pra ficar em um só exemplo, já que ela lutou sem trégua no começo do seu mandato para manter a Agrishow em nossa cidade, feira já dada como entregue para São Carlos pelas mãos do Gasparini. As demandas de uma cidade não são simples assim, e esse simplismo laureado pelo belo texto do colunista encoberta o quanto eventos, sejam eles de áreas distintas, podem gerar pra nossa cidade em riqueza. Vide a mídia gratuita, o movimentos dos bares, lojas e hotéis. “É a economia estúpido”, parafraseando o assessor do Presidente Clinton. Tudo bem, João entende muito mais de Patativa do Assaré do que geração de empregos, o que não chega ser um defeito, cada um na sua. Contudo a vida é feita de pão, vinho, trabalho, diversão e arte, entre outras coisas. O desenvolvimento da cidade, seja a Fiúza que foi chamada de “favela vertical”, passa ao largo do entendimento do colunista, e eu entendo a sua mágoa. Pois João foi defenestrado pela democracia, por isso a sua cadeira cativa no ostracismo. Por isso sua vivência no vale das sombras, não por opção, mas sim por imposição popular. Ele tentou ser prefeito na nossa cidade, mas a população negou-lhe a confiança e ele caiu em decadência como político. De homo politicus se transformou num Defunctus politicus. Mesmo assim a piedade não me demove, e eu afirmo a você João, em matéria de boas intenções, eu esperava mais de você, colega. Devemos aliviar nossos corações e limpar nossas mentes, senão daqui a pouco, usarão da maldade gratuita de dizer que João Cunha calado é um poeta.
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