Porque amanhã vai chegar todo mundo dizendo que você tem de fazer isso, fazer aquilo, como uma chantagem qualquer. E eu não estou habituado a ceder a chantagem
Frio o sagrado coração da lua, Teu coração rolou da luz serena! E eu tinha ido ver a aurora tua Nos raios d'ouro da celeste arena...
E vi-te triste, desvalida e nua! E o olhar perdi, ansiando a luz amena No silêncio notívago da rua... - Sonâmbulo glacial da estranha pena!
Estavas fria! A neve que a alma corta Não gele talvez mais, nem mais alquebre Um coração como a alma que está morta...
E estavas morta, eu vi, eu que te almejo, Sombra de gelo que me apaga a febre, - Lua que esfria o sol do meu desejo!
Augustode Carvalho Rodriguesdos Anjos(Cruz do Espírito Santo, 20 de abril de 1884 — Leopoldina, 12 de novembro de 1914) - Foi poeta. Começou colaborando com o jornal O Comércio, onde publicou seus primeiros poemas. Formou-se em Direito pela Faculdade de Direito da Cidade do Recife. Publicou um único livro em vida, Eu, no ano de 1912. Após sua morte, é publicado o livro Eu e Outras Poesias, contendo alguns poemas inéditos. Considerado por muitos como um dos grande poetas brasileiros.